“O Brasil está de volta ao palco mundial”

 


      Imagem: BBC News

Por Rosa M. Martins

“O Brasil está de volta ao palco mundial”, disse o presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, aplaudido pelas multidões na COP27 no Egipto.

De acordo com o novo presidente, a Amazônia tem um enorme significado para o mundo. “Temos de provar que uma árvore em pé tem mais valor do que uma árvore caída”, disse, sugerindo que a COP 2025 seja realizada  na Amazônia.

As nações estão reunidas em Sharm el-Sheikh para discutir as alterações climáticas e possíveis resoluções. Sob a presidência do Presidente Jair Bolsonaro, que entregará o poder a Lula em Janeiro, o desmatamento da Amazónia atingiu níveis recorde.

Na terça-feira, o enviado climático americano John Kerry disse estar confiante que Lula trará uma reviravolta completa no que se refere às questões climáticas no Brasil.

A ex-ministra do Ambiente do Brasil Isabella Teixeira disse à BBC News que “o mundo” agora está “abraçando o Brasil na COP27”.  Gabrielle Alves, de Brasília, diz que as pessoas que se preocupam com o clima têm novamente uma voz no Brasil

Embora Lula tenha sido calorosamente recebido na COP27, enfrenta em casa um país dividido, com uma oposição significativa no Congresso brasileiro, o que pode dificultar o cumprimento das suas promessas.

Para progredir na sua agenda, Teixeira disse que Lula teria de convencer as pessoas e os membros do Congresso a concordarem. “O Brasil discorda hoje. Mas estamos reconstruindo a nossa democracia e não devemos desistir das nossas responsabilidades em matéria de alterações climáticas” disse.

Puyr Tembé, liderança indígena do Estado do Pará, fortemente desflorestado, disse à BBC News que Bolsonaro desmantelou completamente as leis que protegem a Amazónia e atacou
os defensores do ambiente. Para ela, “o presidente cessante Bolsonaro negligenciou totalmente a Amazónia e a sua comunidade”.

Segundo o secretário executivo da rede do Observatório do Clima do Brasil, Marcio Astrini, “Lula deve reverter o legado do Sr. Bolsonaro, reconstruindo as agências de protecção ambiental, descongelando o Fundo Amazônia que promove a conservação, e combatendo os criminosos na Amazónia”.

Ele diz que o Brasil está de volta às temáticas do Clima, mas que a sociedade civil não hesitará em desafiar o novo governo se este não cumprir as suas promessas. “Quando o governo for bem-sucedido, iremos apoiá-lo, mas se falhar, o criticaremos”.

Mas não será fácil para Lula cumprir as suas promessas ambiciosas, sugere Roberto Waack, líder empresarial e presidente do Instituto Arapyaú. “O mundo precisa de estar preparado para erros ou fracassos. É um problema complicado e vamos enfrentar desilusões por causa da situação política no Brasil. Não se pode simplesmente dizer para parar a desmatamento e no dia seguinte o problema está resolvido”, afirmou.

O desmatamento atingiu máximos recordes na Amazónia sob o Presidente Bolsonaro.

Na terça-feira, jovens activistas brasileiros na COP27 conheceram Lula. “Foi extremamente emocionante, chorei muito. É inacreditável voltar a sentir-se parte do Brasil”, disse à BBC News Gabrielle Alves, uma investigadora de racismo ambiental que faz parte da coligação Mudança Climática.

Nos bastidores, estão em curso negociações entre nações na COP27, esperando por um acordo final na sexta-feira ou sábado. No entanto, ainda existem grandes divisões entre países sobre questões-chave.

A questão de quem pagará a conta por danos climáticos irreversíveis continua a ser debatida calorosamente, uma vez que os países em vias de desenvolvimento querem financiamento urgente para cobrir as suas perdas.

Mas as nações desenvolvidas resistem a qualquer questão de compensação aos países que historicamente causaram a maioria das emissões.

Existe também a preocupação de que o objetivo crucial de limitar o aumento da temperatura a 0,5C - que os cientistas dizem ser crucial para evitar os piores efeitos das alterações climáticas - esteja em perigo.

Com informações da BBC

 

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